Meu maior inimigo, sou eu mesmo.
Sexta 20/05.
Tudo começou do dia 19 para o dia 20/05. Minha carência e tesão me fizeram chamar Anderson para minha casa. Tudo começou com consenso. Nos beijamos e pratiquei sexo oral nele. Na hora do sexo oral eu não estava muito a vontade porque sempre me cuido e tenho uma neura enorme, mas acabei cedendo, sem proteção, ele me disse que eu poderia ficar sossegado porque ele faz exames sempre e não tenho com o que me preocupar. Não praticamos sexo anal, apenas beijamos e eu fiz oral nele, e ele ejaculou fora. Com isso em mente, minha ansiedade faz pensar em muitas coisas de muitas maneiras, e ele manteve um contato comigo, cheguei a perguntar para ele novamente se eu deveria realmente não me preocupar, ele manteve a informação que já tinha me falado e que eu não deveria me preocupar com nada e que também “não fizemos sexo” acredito eu que porque ele não conta válido quando não há penetração. No próprio dia 20 de maio (sábado), fui ao posto, disse que tive tive um possível exposição ao vírus, lá fiz os testes, todos deram negativos e peguei a medição para pep (profilaxia pós-exposição sexual) que precisa ser iniciada até 72hs da possível exposição. No mesmo dia, depois de sair do upa, fui treinar. Na academia, conversei com ele, dizendo que tenho ansiedade e quase sou hipocondríaco, e perguntei para ele se podíamos trocar favores, sendo eu fazendo um pix de 50 pra ele, e ele fazendo um novo teste, ele disse que que faria na segunda, mas que precisava transferir pra ele na sexta mesmo, e eu fiz. Mantivemos contato. Não iniciei a pep pois tenho uma alta fobia de vômito, e li na internet e também a própria médica disse que esse medicamento é forte, por se tratar de um anti viral, é que algumas reações podem acontecer, como não podem, sendo náuseas, vômito, enxaqueca, dor no corpo, dor de cabeça, etc. Minha ansiedade já me convenceu que se tomasse os remédios eu iria sofrer absolutamente de todas as reações, e juntei isso + com o manter o contato com ele + e ele dizendo que iria fazer o teste na segunda + ele dizendo que eu não preciso me preocupar com nada + ele ter ejaculado fora + o sexo oral ter o risco ser 0-4 numa escala de 10.000 pontos.
Sábado 21/05.
No sábado não conversamos.
Domingo 22/05.
No domingo, mandei uma mensagem a noite e ele não recebeu a mensagem, fiquei preocupado sobre ele possivelmente ter me bloqueado. Mandei o contato para um amigo, pedi para mandar mensagem para ver se a mensagem chegava, e ele disse que não chegou mesmo, e foi com esse amigo que eu me abri, expliquei tudo. Ficamos falando pela madrugada.
Segunda 23/05.
Na segunda, por volta das 13 horas, ele recebeu as mensagens e começou a conversar comigo. Disse que eu precisava ficar calmo com isso, mas ao mesmo tempo, mudando a promessa de fazer o teste naquele dia para aquela semana. Fui no UAPS 2, onde é um lugar para tratamento e diagnosticado para hiv, fui para conversar com uma assistente social. Expliquei a situação e ela me disse que se passar das 72hs, não recomenda o uso da pep. Ela disse para eu voltar após 30 dias pra fazer o teste. Fiquei desesperado, em conversa com ele, disse pra me ajudar que iria fortalecer ele numa ajuda, assim nós ajudaríamos simultaneamente, e nos encontraríamos direto no posto e de lá iríamos comer, ou fazer alguma coisa. Ele disse que se antes de ser lá, poderia ser passar na minha casa para conversamos, tentei insistir, mas ele veio pra cá mesmo. Aqui conversamos, ele queria saber o porque que eu queria tanto saber sobre o teste dele, dizendo que eu cheguei a ser muito chato nas minhas insistências das perguntas, e decidiu me falar que ele é hiv positivo foi quando meu chão caiu. Logo em seguida ele me disse que a minha preocupação deveria seguir zerada pois ele é indetectável, o que significa que ele não transmite o vírus. Ele disse que se cuida, e que reconhece que é crime se fosse me infectar sabendo do risco, e que além de ser indetectável, ele não gozou dentro e também não tem líquido pré-ejaculatório. Ele insiste em me dizer que eu não deveria me preocupar com nada, que não fala pra ninguém, que se previne, que é indetectável, é que não transmite, que não gozou dentro e mesmo se gozasse não iria me expor. Ele foi embora, me mandou mensagem dizendo para que eu manter segredo, e que iria me ajudar com a ansiedade, porque minha neura está muito alta a troco de nada. Me mostrou foto da medicação dele, informando que toma todos os dias as 17hs, disse que me comprovará em documento que é não indetectável, para me ajudar com a ansiedade, disse que poderíamos ir na terça após o almoço juntos no UAPs 2, assim ele me comprovaria, e também eu conversaria juntamente com uma médica e uma enfermeira.
Comecei a medicação. Acredito estar com algumas horas atrasadas, mas mesmo assim iniciei. Foi de noite, tomei omeprazol para proteger o estômago, e um ondasterona para evitar náuseas e vômitos. Jantei um miojo e em seguida a medicação com o kit, a primeira vez de noite. Todos os dias tenho chorado muito e não consigo dormir. Não tive sintomas na madrugada.
Terça 24/05.
Levantei da cama as 10hs. Tomei omeprazol, conforme recomendação precisa ser pela manhã. Tomei café. Estou conseguindo comer apenas reduzindo tudo pela metade. Cochilei das 12 as 13hs. Tomei ondasterona, fiz o almoço e em seguida segundo dia do kit. Por enquanto sem reações, apenas uma leve dor de cabeça constante, mas muito leve. Ele não recebeu minhas mensagens sobre ir no UAPs 2, e já são 16:20 e lá fecha as 17hs. Até que horas ele está me dizendo a verdade? Sigo muito pensativo, triste, chorando muito, sem conseguir dormir. Vou tentar treinar para distrair a cabeça. Meu semblante só mostra tristeza e olhares pra baixo. Ainda não consegui ir treinar. Levantei, me sinto triste demais, parece que para qualquer coisa. Ele ainda não recebeu minhas mensagens. Toda vez que a minha ansiedade aumenta, eu percebo que chego num novo limite, que antes pensava que já havia passado. Sempre acontece alguma coisa onde capto algo e fico extremamente nervoso, como se fosse uma mensagem. Tenho assistido Superstore na netflix, e parece que todo episódio, alguém tem ancia de vômito, e a alguns episódios passados, estavam tentando encontrar uma sigla para uma propaganda, e ao juntarem todas as palavras, a inicial deu AID, então começaram a procurar outras palavras, entrei agora no twitter nos assuntos do momento, tem AIDS, com o tema da reportagem principal: "Em uma década, casos de Aids aumentam 36,8% e RN registra 6,4 mil pessoas com a doença - Pelo menos 1.404 pessoas morreram com a doença entre 2011 e 2021, no estado." Eu fico pensando a todo momento se vou morrer. Parece que eu tenho que me convencer que sexo não é pra mim, e sabe, tudo bem... Mas... Eu poderia ter aprendido de outra maneira. Penso que esperei tanto por esse momento da minha vida que é o seguro desemprego que estou tendo agora, e com esse fato, estou estragando tudo, como sempre faço, é como se fosse meu super poder, estragar tudo. Quando jogo no google "risco hiv sexo oral" a resposta imediata do instituto de pesquisa em saúde, é: "A chance de uma pessoa HIV-negativa adquirir o HIV a partir do sexo oral com um parceiro HIV positivo é extremamente baixa." Eu não tenho a reposta mas já estou me punindo com a sentença. Me sinto quebrado, triste, indignado, e ao mesmo tempo me sinto hipócrita. Hipócrita porque sempre quando estou em uma crise de ansiedade, ou sei lá, depressão (nunca fui diagnosticado por um médico que tenho depressão), fico pensando que sou triste, que não mereço carinho, coisas como se eu faltasse, ninguém iria sentir falta. De noite ele deu sinal, não disse o porque não foi de tarde, mas falou que fez uma entrevista de manhã e dormiu a tarde inteira. Conversamos um pouco e ele disse se podemos ir amanhã e eu disse que sim, por favor… Ele me pediu pra ligar pra ele, liguei e ele falou que estará lá amanhã e que gostaria de cortar o cabelo, fazer barba, chorei no telefone. Ele me pedindo mais dinheiro. Já paguei 4 ubers, já transferi um total de 100 reais, eu disse pra ele aos prantos que não tenho mais agora. Ele manteve a informação que vai amanhã às 9, mesmo eu rejeitando lhe transferir mais dinheiro. Eu estou me sentindo um palhaço, usado, conversando com meu abusador, ele está se aproveitando do meu estado mental atual, me pedindo dinheiro. Amanhã estou sem esperanças que ele vá, pois já foram três promessas quebradas. Sei que vai me mandar uma mensagem de manhã desistindo de ir. Isso me deixa mais nervoso, mais triste e mais angustiado. Tenho medo de me apoiar nas esperanças. Acredito que vou procurar meus direitos. Estou com um milhão de abas abertas sobre pesquisas de hiv. Não consigo dormir e penso nisso todo instante, a cada segundo. Um amigo que gosto muito, acabou de me mandar uma mensagem no insta dizendo que perdeu um amigo dele que vinha tido alguns problemas de saúde. Minha mente coloca isso como mais um sinal. Não aguento mais essa sensação de gelo e formigamento me consumindo a cada pensamento negativo que acontecem em loops infinitos. Dois pensamentos ruins, um vazio, dois ruins, um vazio.
Se Deus e o universo tiver piedade e eu sair dessa de boa, vou agradecer muito e levar isso como uma das maiores lições da minha vida. Só queria acordar desse pesadelo. Chorei muito agora dentro de casa, chorei absurdamente muito. Supliquei a Deus, pedi ajuda, pedi mais uma chance, disse que quero ver meu sobrinho crescer, ele e eu com saúde. Fiquei de joelhos, supliquei a muito a Deus.
Quarta 25/05.
Mais uma noite de cochilos mal cochilados. Acordando a todo instante com pensamentos a milhões, cabeça zunindo. Conforme combinamos, ocorreu a visita no UAPs, no instante que ele chegou no balcão, ao meu lado, ele pediu vacina e não exames, e o formigamento já veio em mim, junto com a tremedeira. Porque ele já não pediu os exames dele? Em seguida, chamou a assistente social de canto, e junto com a mesma, foram conversar no corredor, em seguida ele me chamou, esperamos uma sala desocupar e nós 3 entramos nela, lá ela foi me mostrada exames de setembro de 2021 e fevereiro de 2022 com resultado de carga viral abaixo da detectável. Percebi que antes de entrar na sala, ela disse com uma moça que acredito ser a infectologista, confirmando que indetectável é intransmissível. A assistente social ficou do lado dele na conversa, dizendo que achou estranho ele ter solicitado porque não é comum mas ele disse na frente dela que gostaria de encerrar o assunto e que não era obrigado a falar e ela concordou. Ao sair, antes de pegar a moto, fiquei com tontura, voltei e estou sentado aqui por uns 40 minutos. Fiquei observando uma enfermeira que trabalha numa espécie de mezanino, essa que ele me disse que é sempre muito simpática. Em uma descida dela, a abordei na escada e perguntei se podíamos conversar. Entrei duas vezes numa sala com uma enfermeira pra conversar, depois numa outra, ficamos rotacionando porque não havia sala o suficiente. Chorei muito com ela, expliquei toda a situação nos mínimos detalhes. Ela disse que conversou com a média infectologista, que garante que ele é indetectável, o que significa ser intransmissível, e que também recolhe toda a medicação sem atraso, inclusive disse que o pep é desnecessário. Falei bastante com a enfermeira que me ouviu com muito cuidado, foi bastante empática e inclusive fez um encaminhamento para o caps onde tem atendimento com psiquiatra. Estou sem tomar banho a 5 dias. Quero mais uma vez deixar registrado aqui que se eu tiver mais uma chance, eu vou melhorar meus hábitos e minhas relações. Tenho me sentido diferente, tenho visto minha imagem alterada, até magro estou me sentindo, mas não o magro bom. Não estou conseguindo me alimentar direito. Perguntei para a enfermeira sobre a ligação em sentir a perda de peso com tudo o que está acontecendo e ela disse que não existe isso, por vários motivos incluindo que não é rápido assim, se fosse o caso. Questionei sobre meu suor noturno e ela ligou isso a ansiedade. Deus me de mais uma chance!
Quinta 26/05.
Hoje faz uma semana do pior erro da minha vida. Sigo sem conseguir dormir, ter apenas alguns cochilos quando meu corpo não aguenta mais. Quero ver meu sobrinho e minha irmã, e meus pais. Quero dar mais carinho ao meu companheiro, mas ao mesmo tempo estou me sentindo esquisito com tudo isso. Preciso passar por essa experiência que pode mudar minha vida pra sempre para dar valor as pessoas? Eu que sempre digo para serem diferente com tudo isso, precisa ser assim comigo? Eu estou me sentindo com muito medo e pensando em suicídio a todo instante. A cada meia hora fico pesquisando o assunto na internet, no último resultado, vi que uma doutora disse que a carga viral indetectável fica alterando, e isso parece que invalidou tudo o que foi me falado. A cada segundo eu me vejo com a pior situação, na pior maneira, seguindo com o olhar triste e pra baixo, podendo ter a pior sentença e seguindo sendo escravo da minha mente. Sobre minhas reações com os remédios, por enquanto está tudo absolutamente muito baixo. A barriga faz alguns barulhos, a dor da cabeça é extremamente leve, e me lembra só quando faço algum movimento brusco. Eu só consigo ficar deitado, só consigo ter pensamentos não bons e me sentenciando. Coisas que gosto como jogos, filmes e séries, perderam a graça e a cor. Será que já escrevi aqui que a relação se trata de sexo oral, sem penetração anal, com ejaculação fora? Fico lendo isso aqui no site UCS: "A chance de uma pessoa HIV-negativa adquirir o HIV a partir do sexo oral com um parceiro HIV positivo é extremamente baixa. O sexo oral envolve colocar a boca no pênis (felação), na vagina (cunnilingus) ou no ânus (anilingus). Em geral, há pouco ou nenhum risco de obter ou transmitir o HIV através do sexo oral.
Fatores que podem aumentar o risco de transmitir o HIV através do sexo oral são: a ejaculação na boca com úlceras orais, sangramento de gengivas, feridas genitais e a presença de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem ou não ser visíveis. Entretanto, você pode contrair outras ISTs a partir do sexo oral. E, se você entrar em contato com fezes em sua boca durante o anilingus, você pode adquirir hepatite A e B, parasitas como Giardia e bactérias como Shigella, Salmonella, Campylobacter e E. coli. Veja a seção Como me prevenir? para maiores informações - Adaptado a partir de HIV Transmission | HIV Basics | Centers for Disease Control and Prevention." E também lendo isso em participathivosgsk - "A pessoa com HIV sempre transmite o vírus durante relações sexuais? Mito. Uma pessoa que vive com HIV que está se tratando, com o vírus controlado por pelo menos seis meses consecutivos e exames em dia não transmite o vírus. Essa condição é chamada “indetectável = intransmissível”. Apesar disso, é importante reforçar que a prevenção e o cuidado devem ser contínuos por causa da possibilidade de infecção por outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). Acabei de ler em aindsds . gov: Evidências científicas recentes, obtidas a partir de estudos que incluíram vários países, comprovaram que não há risco de transmissão do HIV por via sexual para as pessoas com adequada adesão aos antirretrovirais e com carga viral indetectável por pelo menos seis meses.
Essa descoberta traz uma informação que muda o cotidiano das pessoas soropositivas: pessoas vivendo com HIV, que estão em tratamento e com carga viral indetectável sustentada, podem declarar com confiança que o tratamento antirretroviral torna o HIV intransmissível sexualmente. " Também estou lendo sobre eu achar que estou com perda de peso, incluindo sentir suor noturno, no google também fala sobre a situação estar ligada a ansiedade. Nesse momento a minha cabeça está até querendo me convencer que se eu estar contaminado, a minha vida não vai parar por isso. Nesse momento, a Luciene do CVV me disse através do chat "Psicologicamente você se sente fragilizado. O risco é baixo, mas entendo sua angústia. Não é possível sentir reações com poucos dias. Está preocupado, não pensa em outra coisa e acaba associando as coisas que acontecem a algo que pode não ser verdade. Está se culpando... não pensando que agiu num momento de carência... é doloroso sentir-se só. São sentimentos difíceis de suportar sozinho. Está ansioso e a ansiedade acelera os pensamentos e não te deixa pensar na possibilidade de NÃO está positivado... Está se julgando, fazendo cobranças a si mesmo. É um momento intranquilo até saber o resultado, mas pode trazer a chance que deseja... Sente medo, por isso, só pensa em estar. Se isola para se sentir protegido, não ser julgado, não ser criticado. Não consegue pensar de outra forma... Te fará bem estar perto da família, das pessoas que ama... Estar perto para se fortalecer. Sentiria-se bem estando perto deles, mesmo sem falar sobre os que vem enfrentando... Falo isso para não ficar sozinho. Tem receio de magoar seus pais, não deseja que eles sofram.” Tudo isso está me fazendo ver a vida por uma outra perspectiva.
Sexta 27/05.
Está tudo estranho, fico migrando entre um estado neutro para um estado péssimo, vivendo com com a pior das hipóteses me corroendo a todo instante. Toda vez que vou deitar na cama, todas as vezes, meus pensamentos me hipnotizam e eu fico com formigamento, olhando para todos os lados, mexendo para todos os cantos, sentindo dores em lugares no meu corpo que eu não sabia que existia. Hoje eu ia na casa da minha irmã mas não deu certo, surgiu um compromisso. Acabei de ler no mdsaude: “O risco de transmissão para cada relação sexual oral é menor que 0,01%.” Não consigo pensar em nada de bom. Estou dividido entre duas coisas, agora ainda mais turbulentas. Ando pesquisando sobre infecção do líquido pré-semen, e os resultados são muito diferentes. O primeiro, o Google já mostra: “Não há casos documentados de infecção pelo HIV quando houve somente exposição ao fluido vaginal ou ao pré-sêmen. Reforçamos que saliva é um veículo (liquido) inóspito para o HIV porque as enzimas contidas na saliva destroem o vírus e também a mucosa oral é mais espessa que a do ânus ou da vagina.” E outro site, na mesma página, informa: O HIV geralmente necessita de um contato maior, com quebra de barreira (úlcera, sangramento, contato com mucosa) para haver transmissão. “E no comentário, uma coisa alarmante pra mim: Eu sou um exemplo. Me infectei pelo HIV em um sarro ítimo. Tanto que apesar de toda a minha bagagem de informação nem pensei em PeP.” Eu fico confuso é muito triste. Hoje tive uma outra converse com atendente da CVV. Comecei um caderno com anotações e promessas. Promessas essas que vou cumprir e já estou seguindo, e preciso dessa cura, dessa saída. Mais uma vez estou aderindo a medicação para tentar dormir. Os pensamentos ficam migrando na velocidade da luz em “você tem hiv, sua expectativa de vida foi drasticamente reduzida, vai perder tudo o que conquistou, não vai mais ver quem você ama” VS “ele é indetectável, não transmite o vírus, faz o tratamento regular, o que faz você não ter pego. Sexo oral o risco é 0,01 / 0.4 = 1 a cada 2.500 pessoas. Ele não tem líquido pré-semen. Ele ejaculou fora. Você tem usado pep.” Minha cabeça está uma bagunça. Num segundo estou me martirizando e me condenando, e no outro estou aceitando meu destino. Sinto vontade de me machucar.
Sábado 28/05.
Sempre quando vou deitar, minha respiração fica acelerada, já me sinto mal, me sinto triste e fico pensando em tudo ao mesmo tempo. Estou tendo suor noturno, a internet me fala: “Um dia inteiro de ansiedade pode provocar suor noturno mesmo durante o sono. Tratam-se de casos raros e extremos, mas o suor noturno pode ser sintoma de infecções bacterianas, virais e até mesmo de alguns tipos de câncer.” Ou seja, meus suores noturnos podem estar ligados a ansiedade e também ao hiv. Eu fico neutro e no próximo segundo fico altamente ofegante, passando a mão na cabeça, me sentindo esquisito e mal, horrível, monstro, péssimo, indigno, sufocado, muito triste. Acabei de ler no Twitter do dr maravilha e estou em pânico: “Eu já tive sim pacientes que disseram que praticavam apenas sexo oral sem preservativo e se infectaram. A medicina não é uma ciência exata, então vale a pena considerar todas as possibilidades. Fatores de risco aumentado são gengivite, feridas na boca” e o mesmo autor declara: “Se você vive com HIV e está indetectável ha 6 meses não trasmite o vírus por via sexual, mesmo com ejaculação.” Minha cabeça fica zonza de tantos pensamentos e fica barulhenta, emitindo um zunido. Encontrei agora em outra busca: “É possível ter relações desprotegidas com uma pessoa portadora HIV e não se contaminar? Sim. A transmissão não ocorre em 100% dos casos. Na verdade, na maioria das vezes, são necessárias mais de uma relação desprotegida para que alguém seja contaminado.” Irmã me disse: “Não está no meu alcance. Aconteceu, já aconteceu, foi passado e já era.”
Domingo 29/05.
Eu me vi estranho, coração palpitando e fui dormir na minha irmã. Relatei tudo para ela ontem.
Segunda 30/05.
Minha irmã tem me distraído muito. Eu fico pensando sempre a todo momento mas ela faz e mudar de assunto.
Terça 31/05.
Minha mãe percebeu que estou na minha irmã ainda, perguntou se eu estou bem. Deve estar achando estranho o fato porque não fico fora de casa praticamente.
Quarta 01/06.
Sigo tomando a medicação, e sigo na casa da minha irmã. Tenho conversado com ela, não só sobre isso mas sobre todos os assuntos possíveis, acredito estar conversando, falando, desabafando, me ajuda de algumas maneiras, porém isso não elimina minhas crises. Eu tenho implorado para Deus me ajudar todos os dias, minhas contas da famárcia já passaram na casa dos 200 reais, e hoje ao comprar mais medicação, não reclamei sobre o preço, mas entendi que se trata da minha saúde, e consegui comprar as medicações, mesmo que parcelado. Me encontro muitas vezes num estado estranho, parado, tentando me confortar com a minha irmã, tentando me distrair, mas com a minha cabeça a milhão, pensando nas possibilidades, infelizmente, nas piores dela. Tenho tentado sempre me colocar como "o que já passou, aconteceu, agora é seguir com o que vai acontecer", as vezes isso me conforta de um lado, me apavora de outro. Ontem, infelizmente, depois de dias tendo crises que estavam acelerando a minha respiração, voltei a ter a crise que dói o peito, que me faz sentir dor ao respirar.
Quinta 02/06.
Continua muito tudo estranho. O pensamento é persistente e não importa o que aconteça, como aconteça, eu ligo ao fato do que aconteceu e das possibilidades viaveis de estar com aquilo. Fico suplicando a todo momento.
Sexta 02/06.
Eu sigo pensando a todo, todo instante. Não importa o que eu veja, leia, escuta, eu ligo ao que aconteceu, de maneira ruim. São matérias, mensagens, histórias, storys, tweets, que aparecem na minha tela que sempre são ligadas a esse assunto, a esse pesado. Amanhã volto pra minha casa, e não sei o que vai acontecer lá. Já estou aqui a uma semana, e gostaria de ficar bem mais, pelo menos mais algumas semanas, pois, apesar de não conseguir pensar outra coisa, aqui consigo conversar com com alguém, pelo menos fazer várias outras coisas ao mesmo tempo e não como em casa, que fico sentado no sofá, chorando, com dores, tomando remédios para cochilar, e não conseguindo fazer nada direito, como estou fazendo aqui agora, escrevendo. Ontem refleti sobre como minha vida está atualmente. "Equipei" minha casa com as coisas que queria, mas quando a coisa aperta, eu não fico lá, ou seja, de nada adianta o que eu consegui conquistar. O medo me corrói e essa ideia me deixa triste constantemente. Ontem mesmo, consegui alguns minutos me focar num simples jogos de cartas, não consegui jogar mais que duas ou três partidas rápidas, mas consegui pensar nas cartas, e naqueles minutos, me enganei. Logo depois eu voltei a falar com a minha irmã sobre e ela disse "estou tentando ser a mais otimista possível" e esse pensamento só me fez pensar: se a situação não fosse grave, não precisaria ser otimista.
Sábado 04/06
Eu tenho pensando e encontrado maneiras de me punir. Já voltei pra casa, estou sozinho aqui e com medo de começar ter alguma crise. Vivendo com medo do medo.
Domingo 05/06.
Até começaria hoje o texto dizendo que meu dia foi estranho, mas me toquei que todos meus dias tem sido estranho e sempre estou escrevendo isso aqui. Fico imaginando tudo a cada segundo, milhares de pensamentos a todo momento. Minha irmã está me perguntando sempre como estou e isso me faz sentir que tem alguém cuidando e preocupado comigo. Tenho tomado os remédios, sem muito efeitos colaterias, por enquanto segue aquela velha chata dor de cabeça. Hoje vou dormir sozinho em casa, estou aflito com isso. Ando tanto pensativo com o resultado e tudo mais, não sei direito o que pensar, é como se minha mente bloqueasse e não permitisse bons pensamentos, é como se eu não tivesse o direito de ter bons pensamentos.
Segunda 06/06.
Ontem sai por alguns minutos para o aniversário do meu cunhado, tomei refrigerante na casa da minha irmã e depois aonde comemos em outro lugar mais tarde. Cheguei em casa, comecei a usar o computador com alguns apps como jogos que me ajudam com o tempo, consegui ir dormir as 3hs am, deitei. As 6am acordei com uma forte dor abdominal, já fiquei com medo de ser algo de crise de ansiedade, pois tenho tido crises por medo de ter crises. Com algum tempo depois, consegui focalizar a dor como dor de gases e liguei ela a quantidade de refrigerante de que bebi, fiquei das 6h até as 10hs com dor, que foi diminuindo com um tempo. As coisas parecem se encaixar e os pensamentos ruins são sempre mais fortes, parecem que sempre batem nos bons de uma maneira injusta de tão forte.
Terça 07/06.
Eu acordei hoje as 6hs novamente, acredito pelo que aconteceu ontem, consegui dormir apenas 10hs, mas minha mãe me ligou as 11, dizendo que estava por aqui, depois nos encontramos. Minha irmã me disse que irá trabalhar o resto da semana, o que me deixou meio aflito pois pensei que iria dormir lá alguns dias, mas devido ao trabalho, não vou conseguir, e fiquei pensativo no sentido de que pra onde eu vou correr se eu passar mal. Eu sigo passando mal com medo de passar mal, e isso não é nada agradável. Hoje tive algumas interações na internet, fiquei distraído algum tempo, mas depois os pensamentos voltam fortes e negativos.
Quarta 08/06.
Fui visitar minha irmã. Passei um tempo lá. Em casa, com algumas conversas, me falaram na brincadeira que eu tenho doença, fico apavorado em ouvir coisas assim. Medo, insegurança, estão a cada instante dos meus dias.
Quinta 09/06.
Meus dias tem sido estranhos, vazios, tristes e escuros. Tenho tentado atividades diferentes para tentar distrair minha mente, e parece que funciona por alguns minutos mas é pior depois, quando cai a realidade.
Sexta 10/06.
Hoje aconteceu uma coisa muito estranha, para adicionar a estranheza de tudo o que está acontecendo. Estava uma roda de conversa com algumas pessoas online, não estávamos falando absolutamente nada sobre o que aconteceu comigo, até mesmo porque não estou falando com ninguém sobre. Foi incluída na conversa, por alguém sobre os benefícios que o sexo trás, e com isso, uma pessoa disse que não faz sexo a 5 anos, porque não busca sobre, e então também acrescentou: "Sem contar que eu sempre fui muito cagão pra doença... Aí fui vendo amiguinhos meus pegando doenças e acho que isso mexeu ainda mais com a minha cabeça... Alguns pegaram HIV, outro descobriu que pegou HPV... Aí eu que já não era muito de fazer sexo, simplesmente fui deixando isso de lado." Como sempre, agora minha cabeça está a milhão e me isolo ainda mais de tudo e de todos. Medo do meu destino. Escravo da minha própria mente. Me forçando a comer, a me limpar, a tomar banho, a limpar a casa. Medo do resultado, medo que o destino me reserva. Assustado.
Sábado 11/06.
Hoje dei um tempo para minha casa, fiquei limpando ela, colocando as coisas mais em ordem, fui pensando no ali, nos produtos, no cheiro, na limpeza em si, no ato, no que estava acontecendo, fiquei colocando na minha mente cenários, como se a minha única tarefa fosse limpar ali, fiquei falando nas coisas em voz alta, fui deixando, tentando alguns minutos de paz. Eu consigo as vezes, até a realidade bater forte na minha mente.
Domingo 12/06.
Assisti a cena da Max correndo do Vecna, como se tivesse correndo da depressão, meu olho enche de lágrima. Abri o Twitter e me deparo com a seguinte frase: “Iniciamos tardinha hoje mas vlw AS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS! Amo vocês!” Qual seria a probabilidade?
Segunda 13/06.
Ontem, por volta das 19hs, comecei a ter uma forte dor de gases, que dessa vez me acompanhou até as 2 da manhã. Não gosto de pessoas reclamonas do meu lado, mas ontem eu meio que pirei e dei uma apertada nisso, disse que estava cansado, cansado de quando não ser uma coisa, ser outra, pois na sexta e sábado tive crise de ansiedade, no domingo, dor de gases por mais de 7 horas, e segunda, uma dor de cabeça me acompanhando. Ainda vejo mensagens e pequenas coisas me forçando, ainda mais, a cabeça zunir de tanta coisa pesada.
Terça 14/06.
Não estando bem novamente, voltei a ficar na casa da minha irmã essa semana. Conforme os dias vão passando, tudo fica igual, de um jeito diferente. Meus pensamentos, sempre a milhão, fico tentando lembrar sobre a possibilidades, e as negativas sempre falam mais alto, sempre me deixando pra baixo.
Quarta 15/06.
Hoje, dei uma desabafada, como sempre, fico com aquela sensação de nó na garganta, as palavras não saem, tudo fica estranho, e a sensação ruim entrando no meu pensamento, o peso nos meus ombros. As vezes entro em algumas conversas, solto algumas frases, me arrependo depois, guardo pra mim, fico remoendo, triste, como se eu pudesse ter escolhido melhores palavras, melhores frases, ou até mesmo uma opinião melhor. Queria não me martirizar tanto, mas sinto como se tivesse fora de cogitação, fora do meu alcance mudar isso.
Quinta 16/06.
Sigo com a medicação, as vezes sinto um leve desconforto depois de um tempo do medicamento, não é nada sério, nem grave, mas existe o desconforto. O pensamento continua a todo instante, independete de qualquer coisa.
Sexta 17/06.
As vezes me foco em alguma atividade online, depois de um tempo, de algumas horas, onde lentamente começa a me focar em certa atividade, me esquecendo brevemente da minha realidade atual, sinto-me errado, precisando encontrar um meio de me punir e ficar triste.
Sábado 18/06.
Estou vivendo como num transe. O ciclo está fechando e acredito ter em breve uma resposta que pode mudar minha vida pra sempre. Toda vez que vou deitar, eu começo a respirar mais alto e mais forte, até meu coração ficar acelerado, pensando na pior merda que eu fiz na minha vida. Vivendo um inferno. Tudo, tudo se reduz a isso. Será que mudarei pra sempre minha vida por causa de uns péssimos 5 minutos? Todo dia peço para Deus me livrar disso, sempre me encontro pra baixo, com olhos lacrimejados. Não consigo imaginar nada e imagino tudo ao mesmo tempo.
Domingo 19/06.
Consegui ir deitar apenas as 3 e acordei as 5 da manhã com dor abdominal. Dessa vez não quis esperar 8 horas e fui até o posto, lá, relatei que estou em tratamento e me receitaram alguns medicamentos pra gases e em certa altura, chorei de desespero. Sinto como se tivesse com dor e mais dor. A ansiedade é uma inimiga grande é horrível. Fiquei o dia inteiro alterando entre acordado e cochilo.
Segunda 20/06.
Acordei na maior ansiedade, as 7 e fui até o UAPS. Lá, fiz a entrada, ela me reconheceu, as 9:30 estava recolhendo sangue para fazer todos os testes, e na hora do teste, o enfermeiro disse que em 15 minutos o teste ficaria pronto e eu deveria aguardar sem sair porque poderia ser necessário refazer o exame, ou seja, já soube ali que se me chamasse novamente, seria porque o resultado deu positivo, e seria para confirmar. Lá, havia outras pessoas fazendo teste também. Fiquei a cada segundo matutando em minha cabeça o resultado, comecei a ter uma crise forte, me tremendo todo, e não me chamaram em 15, 20, 30... perto de 40 minutos a assistente social me chamou, sentei e ela me disse que eu estou com todos os testes negativos. Eu não tenho hiv.
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